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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Perfeição

Espevitado pela notícia da conclusão do doutoramento do Carlos Maduro, apresento aqui uma "evidência", palavra que a avaliação de desempenho me tornou abominável, da maestria de Vieira
Arranca o estatuário uma pedra dessas montanhas, tosca, bruta, dura, informe; e, depois que desbastou o mais grosso, toma o maço e o cinzel na mão, e começa a formar um homem, - primeiro, membro a membro, e depois feição por feição, até à mais miúda; ondeia-lhe os cabelos, alisa-lhe a testa, rasga-lhe os olhos, afila-lhe o nariz, abre-lhe a boca, avulta-lhe as faces, torneia-lhe o pescoço, estende-lhe os braços, espalma-lhe as mãos, divide-lhe os dedos, lança-lhe os vestidos; aqui desprega, ali arruga, acolá recama; e fica um homem perfeito, e talvez um santo que se pode pôr no altar.
Padre António Vieira, Sermão do Espírito Santo
Os negritos, meus, destacam complementos directos que parecem seleccionar os núcleos verbais...

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