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segunda-feira, 2 de maio de 2011

Cenas ciganas (2)

Nota prévia: entendo que os ciganos são cidadãos nacionais como eu próprio, sujeitos aos mesmos deveres e usufrutuários dos mesmos direitos. Mas não tenho a certeza de que eles partilhem esta minha convicção.

No exterior do hospital de Santa Maria, Lisboa, ciganos por todo o lado, facilmente identificáveis pelo vestuário. Cruzam comigo duas ciganas, uma jovem, apinocada, descascada, atributos realçados pela roupa justa, a outra na meia idade, coberta da cabeça aos pés. E, ao passar por mim, a mais velha lança ostensivamente lixo para o chão e olha-me nos olhos, provocadora: que me atreva a protestar, bastar-lhe-á um grito e a turba acorrerá para o meu linchamento. Não são só os ciganos a ter atitudes destas, infelizmente. Mas estas mulheres eram ciganas e não me consigo impedir de pensar que, para além  da ausência de civismo, talvez estejam a ser pagas com o rendimento mínimo dos meus impostos. E que, ainda não há muito tempo, uma certa "esquerda" recusou que os beneficiários do rendimento mínimo, agora rendimento social de inserção -- e gostaria que me quantificassem os já inseridos --, fizessem trabalho cívico, como limpar o lixo que eles ou outros como eles deitam acintosamente para o chão, enquanto os seus familiares beneficiam de cuidados de saúde para que talvez nunca tenham descontado. É bonito dizer que temos de ser solidários, mas, e os beneficiados, não têm de dar nada em troca à sociedade?

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