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sexta-feira, 6 de maio de 2011

Contadores de histórias

Nos almoços e jantares de karaté, depois de matada a fome e a sede -- e não é a água que nos hidrata -- escorrem as histórias, valorizadas pelo talento dos contadores. O Vítor é um dos melhores:
Um ligeiro entrou numa rua estreita de Leiria. Pois um camião, em vez de esperar que passasse, avançou também: pesado tem sempre prioridade, vale a força do tamanho, além do mais anda a trabalhar, saiam da frente que quer passar. O velhote do ligeiro não se deixa intimidar. Em vez de meter marcha atrás, pára o motor. Mesmo em frente, o pesado faz o mesmo. O condutor do ligeiro reclina o banco, desdobra jornal, liga o rádio, calmamente começa a leitura refastelado como em tranquila esplanada. Pouco depois, o condutor do pesado, desatinado, sai furioso lá de cima, bate com a porta do camião, aproxima-se ameaçador, esmurra raivoso o capot do carro do velhote, que, impávido, continua a leitura do seu jornal. O outro, a espumar, bate no vidro, ruge: -- A sua sorte, a sua sorte é eu estar cheio de pressa!
Indolente, o velhote do ligeiro, dobra meticulosamente o jornal: -- O seu azar, o seu azar foi ter dado com um homem sem nenhuma pressa!
Pois o Xavier conhece história melhor: os dois carros frente a frente, motores parados, a bloquear a estrada estreita, um dos condutores começa a ler tranquilamente o jornal, o outro aproxima-se, bate no vidro: -- Olhe, desculpe lá, quando acabar a leitura do jornal, pode-mo emprestar?
Infelizmente, neste 2011 vi-me forçado a faltar a todos os estágios. Saudades!
FOTO: Paredes de Coura. O Xavier, o sensei Vilaça Pinto, eu, o Augusto (meu professor há trinta anos), o Luís Carneiro. No restaurante do Paulo.

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