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sábado, 28 de maio de 2011

Linguagens

Por que razão se espera que um escritor seja bom orador, se escrita e fala são linguagens diferentes? Tal como Rentes de Carvalho, também eu invejo os escritores que impressionam a plateia com os seus dotes oratórios,  como eles invejarão, muito provavelmente, o talento que Rentes de Carvalho evidencia, talvez não ao falar em público, mas nos seus romances, afinal aquilo que, no seu caso, conta.
Inveja sarcástica a minha, eivada de desconfiança por esses escritores que se impõem pela fala, explicando brilhantemente alegorias e metáforas, isotopias e distopias...
"-- Você sabe falar -- comentou.
-- Nasceu comigo.
-- Daria um péssimo escritor -- prosseguiu. -- Nunca conheci um escritor que fosse um bom orador. "
Ray Bradbury, "Rumo a Quilimanjaro", in As Vozes de Marte, colecção Argonauta, Ed. Livros do Brasil, Lisboa)

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