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terça-feira, 31 de maio de 2011

Estranheza

Casam e descasam por dá cá aquela palha, trocam de casa quase tão depressa como eu de camisa, raízes só as dos dentes, e, no entanto, amarram-se vitaliciamente a um partido que os ilude, lhes mente, nos arruína -- e ser-lhe-ão fiéis e leais como jamais foram aos cônjuges... Não adianta apontar-lhes trafulhices, indecências, desonestidades, corrupção; de nada serve mostrar-lhes as consequências e as inconsequências da governação: só pode ser amor louco, enlouquecedor,  que os cega e nos conduz inevitavelmente para o abismo, porque se um cego conduz a outro cego ambos acabaremos por cair no barranco. 
Esperança para esta lusitânica, que tem a fama de não se saber governar? Apenas uma, nada patriótica: a troika; mas ténue, muito ténue, porque, é sabido, também não nos deixamos governar...
(Imagem: extraída d' O Livro da Primeira Classe)

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