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quarta-feira, 30 de março de 2011

Outro Afeganistão

Leio que americanos e ingleses ponderam a possibilidade de armar os rebeldes líbios. Primeiro, tiveram o discernimento extraordinário de, à distância, conseguirem distinguir os bons dos maus e bombardear estes últimos; agora pensam armar os bonzinhos, em vez de forçar negociações entre as partes. Entenda-se: ficarei contente se Kadafi for apeado e enforcado. Pelo seu povo. Ficaria muito contente se se instaurasse na Líbia um regime que respeitasse os direitos básicos do ser humano. Mas o que vejo nas televisões são bandos a disparar entusiasticamente-- para o ar. A circular de carro, para trás e para diante, sem estratégia, sem táctica, aparentemente sem coordenação e sem comando. Razões de sobra para recear o pior. Quais as reais motivações, -- políticas, religiosas, tribais -- daquela turba anárquica? Como tratam os prisioneiros que fazem, os suspeitos de pertencerem ao outro lado? Que farão quando não houver um inimigo comum? Contra quem virarão as armas? Seguirão os senhores da guerra, ou, esquecido o gosto da matança, irão votar pacificamente em partidos a formar, num país que aparenta ser tribal?
Armem-nos e depois queixem-se. E quando não souberem como limpar a merda que entretanto fizeram, peçam-nos militares para a pacificação, que nós, portugueses, podemos pagar missões militares no Kosovo, no Afeganistão, creio que na Bósnia, até em Timor -- suficientemente rico para se vangloriar da possibilidade de comprar o lixo da nossa dívida.

2 comentários:

Jeroen disse...

concordo por 100%! A Holanda vai contribuir tambem neste guerra que não é nossa.

acho que armar o povo não resolver a situação na libia. Há outros países na africa aonde outro países armem os rebeldes e a situação sempre piorou(Por exemplo Tanzania - O Filme Darwins Nightmare explica como os russos mudar armas para peixe).

José Cipriano Catarino disse...

A guerra devia ser encarada sempre como uma calamidade, a última coisa a fazer, quando mais nenhuma outra solução resta. Neste momento, todos os esforços deviam ser feitos para encontrar soluções pacíficas. Ganhe quem ganhar, todos vamos perder. E, escreveu não sei quem, todas as guerras são horríveis, mas nenhuma é tão horrível como a guerra civil. Nota que eu não sou pacifista. Mas também não sou parvo, ao ponto de pensar que com a queda de Kadafi a Líbia viverá em paz.